Muitas pessoas acreditam que fazer um doutorado exige que a
pessoa abdique de muitos prazeres da vida. O estudo é sempre relacionado à
dedicação e à disciplina, às noites mal-dormidas, às horas que se perde
mergulhado em livros. Para alguns, o doutorado tem um pouco de sado-masoquismo,
uma espécie de renúncia, uma quase-morte da vida social. Eu nunca consegui me
acostumar com essa fama que o doutorado tem. Sempre pensei os livros e os estudos mais como aliados do que como inimigos. Por que encaramos os
estudos como um tipo de renúncia? Precisamos realmente escolher entre tese ou vida? Por que não fazer da tese um processo mais amplo, um meio de pensar o nosso
lugar no mundo? Esse foi o caminho que resolvi escolher. Para mim, os livros
representam a liberdade de pensamento e não a renúncia. A pesquisa não tem
sentido de rigor, de disciplina. A tese não é o fim, mas o meio que eu escolhi
para agir. O doutorado representa para mim uma mudança de vida, uma aventura. Abandonei os pampas gaúchos e fui buscar em Recife um pouco de liberdade, de independência. Tive que encarar algumas renúncias, como a companhia dos amigos e da família. Descobri o que é saudade. E, mesmo que seja um processo difícil, sinto que não são só os estudos e a titulação de doutor que me movem. Tem alguma coisa maior, alguma inquietação que me fez chegar até aqui. Tese ou vida? Escolho e vivo os dois intensamente. Esse blog representa, pra mim, um pouco deste processo de transformação, das
inquietações que dão sentido à minha pesquisa e que me movem, de algum jeito. Por meio deles, desenvolvo também o hobbie de fotografar, de registrar minhas experiências em imagens. Ciência ou
arte? Escolho os dois.
Nenhum comentário:
Postar um comentário